Desenhos, Colagens e Afins

Desenho

Meu depoimento, 2018

 

O desenho tem sido um modo de pensar. 

 

Diz Carlos Fajardo que “o desenho é o espaço entre”. Desenho como Instrumento, Cooperativa dos Artistas Plásticos de São Paulo, 1979. Sim, pois.

Um retrato, mesmo uma caricatura, está, justamente, entre as várias voltas do traço. Traçado que de alguma maneira, determina a qualidade do conteúdo. Irônico, chistoso, denunciante...

Mas e um círculo? Será o circulo o seu traço ou a rodela que é, justamente, o “espaço entre”? Aqui nenhuma deformação é permitida a não ser as da qualidade do traço: matiz, valor, sensibilidade... A rodela será sempre a mesma.

 

Frase atribuída a Picasso chama minha atenção:  ""Antes um quadro era uma soma de adições. Comigo um quadro é uma soma de destruições.”

 

Coisas assim destruiriam o circulo. Descaracterizariam a rodela para construir um modo expressivo mais abrangente que o objeto específico daquele desenho. Significação que vai além do “espaço entre”

O espaço em torno, quem sabe?

Melhor, o "espaço entre" o que vê e o que é visto.

 

Nota: Neste website  fotos; fotomontagens; gravura e demais impressos estão classificadas como Desenho, colagens e afins

Gabriel Borba, 2018

Conjunto da Obra

A Mão da Moça

Apenas

Cartas de Alexandria

Cicatriz

Corpo che cade

Deconstrução

Figura

Espelho de Julieta

Espelho de Julieta

Cópia impressa OffSet, 21.50 X 14.50 X 0.00

Obras, Séries e Coleções: Figura

Modelo

Modelo, 1990

nankin lapis sobre papel, 32.30 X 48.00

Obras, Séries e Coleções: Figura

Modelo

Modelo, 1990

Nankin grafite lapis de cor sobre papel , 48.00 X 33.20

Obras, Séries e Coleções: Figura

Gestörte Nummeration

Hino dos Vencidos

Imagens de Urgência

Jaula da Anta

Limiar do Visível

Mascara, video instalação

ME

Objeto ME az

Objeto ME az, 1981

Heliografia com madeira e fio, 53.00 X 55.00 X 0.00

Obras, Séries e Coleções: ME

Objeto ME vm

Objeto ME vm, 1981

Heliografia com madeira e fio, 51.00 X 52.00 X 0.00

Obras, Séries e Coleções: ME

Nós

O Estado das Coisas

O Gato Acorrentado a Um Só Traçado

Obra esparsa

Opereta

Pequeno Mobiliário Brasileiro

Rebusteia

Recordação de Viagem

Retratos

Risco Arisco

Pequeno Retangulo Branco (Lendo Angelus Silesius)

Pequeno Retangulo Branco (Lendo Angelus Silesius), 2011

25.00 X 9.00 X 0.00

Obras, Séries e Coleções: Risco Arisco

Saga do Guerreiro Morto

Série Carnavalesca

Sudario

The Lady I long for

TRÄMA

Transparências

Magnetoscópio com Ponto Cruz e Etiqueta

Magnetoscópio com Ponto Cruz e Etiqueta, 1992

Fotolito cordão cartão sobre acetato, 46.00 X 31.50 X 0.50

Obras, Séries e Coleções: Transparências

Visitando Miró

Jaula da Anta heliografia, 1976

Heliografia com madeira e fio, 47.70 X 57.00

Obras, Séries e Coleções: Jaula da Anta

Exposições: Copy Art in Brazil, 1970-1990, Espaço B / MAC, In Contextu, IX Congresso Brasileiro de Arquitetos

 

Jaula da Anta para o IX Congresso de Arquitetos

Meu depoimento

 

 Em agosto de 1976 inscrevi-me na Exposição Nacional de Arquitetura do IX Congresso Internacional de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, apresentei o projeto  Jaula da Anta, em cópia heliográfica a partir de desenho em papel vegetal.

Ao desenho que se vê aqui foi acrescentada, uma faixa lateral com o título da exposição e do congresso (obrigatórios) e, por minha conta, um “memorial descritivo” dizendo:

 

“Duas as Arquiteturas:

Uma ampla, grande, monumental,

Outra simples e próxima.

 

Aquela da nação, do continente,

Do mundo.

Esta, da Anta.

 

(o resto eis que é cimento)”

 

Ao pé da imagem, um desenho mais elaborado, igualmente em heliografia e de mesmo tamnaho, preparativo daquele que foi para a Bienal de Paris no ano seguinte, para a qual fui convidado.

 

Como em Esopo, a alegoria das figuras escolhidas para compor o projeto induz significados além das suas aparências. Corda, pena e anta são figuras da linguagem popular que usadas em uma mesma frase podem projetar um universo significativo –no caso prefiro a conotação simples, ao extremo, simplório, para anta. Experimente: "É uma anta. Que pena que esticou a corda até que arrebentasse"

O cavalete, suporte de coisas, conforme se o desenhe deixa-se ler ANTA. Liga-se a ME, substituição do sujeito por uma abstração de si e, com esforço, à cena do espelho em Nós Versão II.

Gabriel Borba, 2019