IX Congresso Brasileiro de Arquitetos

IX Congresso Brasileiro de Arquitetos , 1976

Congresso Nacional

Congresso Brasileiro de Arquitetos

 

Meu depoimento

 

Em agosto de 1976 inscrevi-me na Exposição Nacional de Arquitetura do IX Congresso Brasileiro de Arquitetos, São Paulo, e apresentei o projeto  Jaula da Anta, em cópia heliográfica a partir de desenho em papel vegetal.

Ao desenho que se vê aqui foi acrescentado como memorial o texto:

 

“Duas as Arquiteturas:

Uma ampla, grande, monumental,

Outra simples e próxima.

 

Aquela da nação, do continente,

Do mundo.

Esta, da Anta.

 

(o resto eis que é cimento)”

 

Como em Esopo, a alegoria das figuras escolhidas para compor o projeto induz significados além das suas aparências. Corda, pena e anta são figuras da linguagem popular que usadas em uma mesma frase podem projetar um universo significativo –no caso prefiro a conotação simples, ao extremo, simplório, para anta. Experimente: "É uma anta. Que pena que esticou a corda até que arrebentasse"

O cavalete, suporte de coisas, conforme se o desenhe deixa-se ler ANTA. Liga-se a ME, substituição do sujeito por uma abstração de si e, com esforço, à cena do espelho em Nós Versão II.

 

Com o passar do tempo o desenho ganhou alguma projeção. Esteve na bienal de Paris de 1979, levado pelo curador Angel Kalenberg; na exposição Copy Art in Brazil, na Universidade de San Diego, levado pela Curadora Erin Aldana e interessou ao Curador Francisco Salas da Galeria PM8, Espanha que, em entrevista publicada em Turim, Itália, o aponta em uma das suas perguntas:

 

"PM8
5. Entrevista Gabriel Borba
Setembro 2016

PM8: Lembro-me do trabalho Jaula da anta, 1970, um projeto que era bastante polêmico na época e que provocou que as pessoas o expulsassem do Instituto de arquitetos de SP e depois voltarem no mesmo dia , por que você foi expulso pela primeira vez e o que fez os membros do comitê quererem você de volta?
GB: O problema é: digamos que eu estava sendo visto como um menino travesso fazendo coisas absurdas e o projeto que apresentei ao Congresso Internacional de Arquitetos, sem seleção, foi tomado como provocação por causa do tema, do memorial e do Lugar em que foi colocado. Por acaso, e como eu disse que não havia seleção, meu projeto foi pendurado entre dois desses papas da arquitetura brasileira e as pessoas ficaram incomodadas. No auditório, durante os debates, alguém disse que era um absurdo e, por isso, Gabriel Borba deveria ser expulso do Instituto de Arquitetos. Como me foi dito, as pessoas aprovaram a idéia, mas outra veio em minha defesa com tanto entusiasmo que elas mudaram de idéia. Na verdade, eu não fui realmente expulso do Instituto, tão rápido foi a ação. Não vi nada porque estava ocupado com outra coisa. Eu estava me inscrevendo em um concurso de Desenho Industrial no qual ganhei, mais tarde, o primeiro prêmio.
O projeto Jaula da Anta teve três versões. A primeira, apresentada no Congresso, parecia um projeto convencional de arquitetura, em planta. A segunda, apresentada na Bienal de Paris, era o mesmo, um pouco maior, com textos em francês e um desenho melhor. A terceira foi uma impressão offset, com colagem, de pequeno formato, a ser publicada no álbum TRÄMA, lançado pela Cooperativa Geral para os Assuntos d Arte.
O projeto é divertido e deve ser visto. Fazia sentido naqueles dias, porque funcionava como uma provocação engraçada contra o bando de pessoas sérias com sua vaidade e assim por diante. Hoje em dia funciona porque é simpático. O engraçado é que um curador americano pediu a Jaula da Anta porque é uma cópia heliográfica. Espero que essa não seja sua única qualidade."

Gabriel Borba, 2019

Conjunto da Obra

Jaula da Anta

Jaula da Anta heliografia, 1976

Heliografia com madeira e fio, 47.70 X 57.00

Série / Coleção: Jaula da Anta

 

Jaula da Anta para o IX Congresso de Arquitetos

Meu depoimento

 

 Em agosto de 1976 inscrevi-me na Exposição Nacional de Arquitetura do IX Congresso Internacional de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, apresentei o projeto  Jaula da Anta, em cópia heliográfica a partir de desenho em papel vegetal.

Ao desenho que se vê aqui foi acrescentada, uma faixa lateral com o título da exposição e do congresso (obrigatórios) e, por minha conta, um “memorial descritivo” dizendo:

 

“Duas as Arquiteturas:

Uma ampla, grande, monumental,

Outra simples e próxima.

 

Aquela da nação, do continente,

Do mundo.

Esta, da Anta.

 

(o resto eis que é cimento)”

 

Ao pé da imagem, um desenho mais elaborado, igualmente em heliografia e de mesmo tamnaho, preparativo daquele que foi para a Bienal de Paris no ano seguinte, para a qual fui convidado.

 

Como em Esopo, a alegoria das figuras escolhidas para compor o projeto induz significados além das suas aparências. Corda, pena e anta são figuras da linguagem popular que usadas em uma mesma frase podem projetar um universo significativo –no caso prefiro a conotação simples, ao extremo, simplório, para anta. Experimente: "É uma anta. Que pena que esticou a corda até que arrebentasse"

O cavalete, suporte de coisas, conforme se o desenhe deixa-se ler ANTA. Liga-se a ME, substituição do sujeito por uma abstração de si e, com esforço, à cena do espelho em Nós Versão II.

Gabriel Borba, 2019