Arte na Rua 2

Arte na Rua 2, 1984

Curador: Luciana Brito e Mônica Nador

Organização de Aracy Amaral Diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

MAC USP

Avenida Pedro Alvares Cabral, 1301, 04094, São Paulo, SP, Brasil

Tel: +55 11 2648.0254

 

 

Arte na Rua 2

Apresentação

"A realização do evento Arte na Rua  2, novamente como no ano passado trouxe a baila polêmica sobre a presença nas ruas -espaço dessacralizado- da produção do artista , poeta ou pintor, gravador artista gráfico ou cartunista convidados, produção essa usualmente exibida em galerias e/ou museus, ou em livros e revistas..."

 

"...a indagação que nos ocorre é: afinal qual é o lugar da arte?"

Aracy Amaral, diretora do Museu de Arte Contemporâne da USP

in catálogo Arte na Rua 2 (trecho)

 

My commentary

 

Convidado a participar do programa Arte na Rua 2, um tanto distante do que me move, para mim pessoal e intimista, pensei em recusar. Afinal expor(-me) na rua –já o tinha feito antes- sempre esteve fora do eixo das minhas preocupações.

Mas a insistência do convite me agradou já que me colocava em boa posição entre pares. Resolvi participar com mensagem que satisfizesse as duas vertentes: solidão intimista e camaradagem participativa.

Não podia funcionar. O meu cético NÃO inscrito no enorme painel foi, para uns poucos, agressivo e, para outros, uma desses conceitualismos superficiais, com pouco fundamento.

Se tivesse grafado NIHIL teria conotação mais sofisticada e menos agressiva, mas seria outro que ainda farei.

Estaria mais perto do que mandei à XVIa Bienal de São Paulo,1981, movido por preocupação que nascia à época, quanto a estar respondendo a chamamentos sem chama, só para esta presente. Apenas para engrossar um caldo, bom sem dúvida, mas distante do meu paladar. Na ocasião ocorreu confessar-me (expor-me) com folha de formato grande no centro da qual escrevi uma coluna com a frase “NADA A DECLARAR “, em cinco línguas diferentes, uma em cada linha. A folha dobrada inúmeras vezes, até uma “almofada” quadrada, do tamanho do espaço ocupado pela coluna de frases. O fechamento de barbante amarrado com enorme exagero de voltas, em dois sentidos, muitos selos de pequeno valor e endereçamento, goma arábica por tudo. Tornou-se um objeto a ser enviado pelo correio.

Visitei a Bienal e fui surpreendido por um espaço configurado por 3 painéis, com uma foto minha de cachimbo na boca no meio do painel central e a “coisa”. Escrevo em 2020 e não posso lembrar dos detalhes dessa apresentação a não ser da foto inesperada.

Gabriel Borba, 2020

Conjunto da Obra

Obras esparsas

O Estado das Coisa (indicação direta I), 1979

colagem, 65.00 X 45.00 X 0.00

Série / Coleção: O Estado das Coisas

O Estado das Coisas

Meu depoimento

 

Jornais estavam censurados e não disfarçavam. Artigos vetados pelo censor, sob a alegação que a edição estava pronta, eram substituídos ora por mancha preta, ora  por texto alternativo, pura gozação, como poesia clássica ou receita culinária. 

Via constantemente a artimanha e, sobre a primeira página do O Estado de São Paulo, diário muito combativo, registrei O Estado das Coisas. Alusão ao titulo daquele periódico, estado como unidade da federação, substituído por estado como sinônimo de condição.

Gabriel Borba