Saga do Guerreiro Morto

 

Saga do Guerreiro Morto

Meu depoimento

 

Elaborando o primeiro projeto para o Pequeno Mobiliário Brasileiro que nunca foi realizado, inclinei-me a dar voltas em torna de figuras caídas, muitas delas com morte violenta entre outras poses. É preciso lembrar que estávamos no início dos anos 1970 e que um regime militar recrudescia no Brasil havia já uns anos e que estávamos todos alertas. Pouco tempo havia passado desde as minhas Imagens de Urgência e o tema ainda me assombrava. O que foi antes um baile apenas politicamente incorreto, refiro-me ao primeiro projeto para o Pequeno Mobiliário, passou a ser cena macabra.

Esboços e anotações imaginavam o que teria acontecido com esse ou aquele cujo destino era apenas noticia vaga; e o que poderia vir a acontecer...

Havia os que insistiam em defender um ideal, outros se rebelavam contra o estado das coisas. Guerreiros, portanto.

E em Guernica, Picasso, encontrei o retrato do sofrimento temido, nas figuras femininas e o retrato do sofrimento presente no guerreiro morto no primeiro plano.

Eis por que andei passeando em torno dessa personagem, muitas vezes imaginando ser autorretrato.

À série dessas anotações e desenhos dei o nome de Saga do Guerreiro Morto, o que de fato é. Um desses esboços, De Alonso Cano para o Guerreiro Morto, gerou um desenho acabado que já não está mais comigo do qual tenho apenas uma foto de pouca qualidade que incluo como documento. Leva o título simples: Desenho.

Gabriel Borba 2019

 

Conjunto da Obra

Figura

Pequeno Mobiliário Brasileiro

Saga do Guerreiro Morto