Opereta

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Opereta, 1981

(Opereta Buférrima

O preço do Dinheiro é o Saldo Médio)

 

Meu depoimento

 

 

Um evento na Pinacoteca do Estado de São Paulo em agosto de 1980, para o qual fui convidado, reuniu alguns de nós que realizavamos performances. Na ocasião fui a um banco para acertar algumas contas e, sentado com um atendente, ouvi: "mas o senhor não tem saldo médio! ". Tentei argumentar e ouvi explicações que não entendia , coisa que continuou a cada argumento meu. Só terminou quando desisti da trocação e sai com a convicção que o preço do dinheiro é o saldo médio. Dai essa peça que escrevi, em geral classificada sob o título Opereta, mas que tem um título mais longo: Opereta Buférrima, o Preço do Dinheiro é o Saldo Médio.

Imaginei reconstituir a discussão no banco com os ruidos confusos de saltinhos no piso de madeira, máquinas de escrever, conversas em sussuro, outras em voz alta..., Construi, então, uma enorme matraca, um desses instrumentos com o que os vendedores de biju chamam a atenção nos semáforos (matraca é, também,como se diz de quem fala muito); reuni apitos de festa variados, separados por espécie em caixas, e convidei o Aguilar para atuar como parceiro. A matraca gigante ficava no chão, ele com uma camiseta onde se lia o gerente de um lado, eu do outro, com a camiseta onde se lia o povo em geral. E a matraca era jogada de um para o outro, com barulho ensurdecedor a cada lance. No meio tempo os apitos de festa eram distribuidos na platéia, em lotes, por grupos de público, de modo que a algazarra se instalou na competição de que grupo fazia mais barulho.

Gabriel Borba, 2018

Conjunto da Obra

Opereta